Ilustração 3D anatômica da artrose do quadril (coxartrose): vista frontal mostrando ilíaco, acetábulo, cabeça do fêmur e colo do fêmur com degeneração da cartilagem articular em vermelho-alaranjado, estreitamento do espaço articular coxofemoral e osteófitos
Vista frontal do quadril — degeneração da cartilagem (laranja) no espaço coxofemoral, com osteófitos no acetábulo e cabeça do fêmur

O que é

A artrose do quadril (coxartrose) é uma doença articular degenerativa que afeta a cartilagem que reveste a articulação entre a cabeça do fêmur e o acetábulo (fossa da bacia). Não é apenas uma degeneração inevitável: é uma condição em que fatores mecânicos, biológicos e do estilo de vida interagem, e alguns deles podem ser modificados.

Quão comum é

Na estimativa do estudo Global Burden of Disease 2010, a prevalência mundial padronizada por idade da artrose do quadril foi de 0,85% (IC 95% 0,74% a 1,02%), maior em mulheres, e a artrose de quadril e joelho juntas foram a 11ª maior contribuição para a incapacidade no mundo. Os próprios autores consideram que o número real provavelmente está subestimado.

Fonte: Cross M, et al. Ann Rheum Dis. 2014;73(7):1323–1330.
Evidência 1 — exercício melhora pouco a dor e a função, e o efeito é modesto

A revisão Cochrane mais recente (Hall et al., 2026) reuniu 18 ensaios clínicos (1.368 participantes) de exercício em artrose de quadril. Comparado a nenhum tratamento, cuidado usual ou educação limitada (9 estudos, cerca de 449 participantes), o exercício provavelmente reduz a dor em cerca de 7 pontos numa escala de 0 a 100 (diferença −7,19; IC 95% −10,70 a −3,68) e melhora a função física em cerca de 9 pontos (−8,79; −12,00 a −5,41), com certeza moderada. Os autores afirmam que essas melhoras provavelmente não são clinicamente importantes, e que o exercício provavelmente tem pouco ou nenhum efeito na qualidade de vida. Contra placebo ou atenção (2 estudos, 123 participantes), o efeito na dor foi pequeno e não significativo (−6,31; IC 95% −12,98 a 0,35).

A versão anterior da mesma revisão (Fransen et al., 2014; 10 ensaios, 549 participantes) tinha encontrado redução de cerca de 8 pontos na dor e NNT de 6, mantida por 3 a 6 meses após o fim do tratamento supervisionado. Limitações: a maioria dos estudos era pequena e sem cegamento dos participantes.

Fontes: Hall M, et al. Cochrane Database Syst Rev. 2026;7:CD007912 · Fransen M, et al. Cochrane Database Syst Rev. 2014;(4):CD007912.
Evidência 2 — quem tem mais dor no início tende a se beneficiar mais

Uma metanálise com dados individuais de 31 ensaios (4.241 participantes com artrose de joelho, de quadril ou de ambos; Holden et al., 2023) encontrou que o exercício reduziu a dor em 6,4 pontos a curto prazo, 3,8 a médio prazo e 3,4 a longo prazo (escala de 0 a 100), um efeito que os autores descrevem como pequeno e de importância clínica questionável a médio e longo prazo. Quem tinha mais dor e pior função no início se beneficiou mais do que quem tinha menos, com evidência mais segura em 12 semanas. Limitação: só 6 dos 31 ensaios eram exclusivamente de quadril, então o dado vale para artrose de quadril e de joelho em conjunto.

Fonte: Holden MA, et al. Lancet Rheumatol. 2023;5(7):e386–e400.

Tratamento sem cirurgia

As diretrizes convergem no essencial:

Infiltrações: uma metanálise em rede de 11 ensaios (1.353 pacientes; Gazendam et al., 2021) não encontrou nenhuma injeção intra-articular (como corticoide e ácido hialurônico) melhor que a injeção de soro fisiológico para dor ou função em 2–4 meses e em 6 meses. O OARSI não recomenda corticoide intra-articular para artrose de quadril.

Fontes: Bannuru RR, et al. Osteoarthritis Cartilage. 2019;27(11):1578–1589 · Kolasinski SL, et al. Arthritis Care Res. 2020;72(2):149–162 · NICE. Osteoarthritis in over 16s (NG226), 2022 · Gazendam A, et al. Br J Sports Med. 2021;55(5):256–261.

Quando considerar a prótese

O NICE recomenda considerar o encaminhamento para prótese quando os sintomas da articulação (dor, rigidez, perda de função ou deformidade progressiva) afetam de forma importante a qualidade de vida e o tratamento sem cirurgia (exercício, perda de peso, controle da dor) é ineficaz ou inadequado. A diretriz orienta decidir pela avaliação clínica, e não por escores numéricos de gravidade, e não excluir alguém da indicação apenas por idade, sexo, tabagismo, outras doenças ou obesidade medida pelo IMC, embora os riscos da cirurgia possam variar com esses fatores.

Fonte: NICE. Osteoarthritis in over 16s: diagnosis and management (NG226), 2022, recomendações 1.6.1 a 1.6.4.

O que esperar da cirurgia:

Fontes: Evans JT, et al. Lancet. 2019;393(10172):647–654 · Cheng HY, et al. BMJ Open. 2025;15(5):e088975.

⚠️ Quando buscar avaliação médica

Procure avaliação ortopédica com urgência se:
  • Dor intensa e súbita no quadril após queda — excluir fratura do colo do fêmur (especialmente em idosos)
  • Incapacidade de apoio no membro — sinal de lesão grave
  • Febre + dor no quadril — excluir artrite séptica

Em caso de emergência, ligue SAMU 192. Fora de uma emergência, fale com a ou agende uma avaliação.

Dor no quadril ou na virilha que piora ao caminhar?

Uma avaliação com raio-X e exame clínico define o grau da artrose e orienta o tratamento — conservador ou cirúrgico.

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Referências científicas

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica individual.